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RAIZ MATER
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Maternidades plurais: os desafios de ser mãe na Baixada Santista

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Violência obstétrica, sobrecarga e preconceito marcam a realidade de mães na região

Alex Bruno 
Rosaly Avelar 

A jornalista e educadora social Maria Fernanda Portolani, 46 anos, ainda sente uma dor difícil de nomear quando pensa no parto do seu segundo filho. Não foi apenas a dor física das contrações ou do procedimento médico. Foi o sofrimento de não ser ouvida, de ter seu corpo tratado como objeto, de ver sua palavra desacreditada. "A violência obstétrica é uma realidade no nosso país. Isso eu sendo uma mulher branca e falando de um hospital particular", conta a moradora do bairro Encruzilhada, em Santos.
 

A história de Maria Fernanda não é isolada. Na Baixada Santista, as múltiplas realidades da maternidade revelam um panorama complexo: da adolescente que interrompe os estudos à advogada que enfrenta o machismo no mercado de trabalho, além do casal homoafetivo que lida com olhares de julgamento à mãe solo que trabalha em três empregos para sustentar os filhos.
 

A violência obstétrica é caracterizada por ações de natureza física, verbal, sexual, negligência, maus-tratos, desrespeito, condutas não baseadas em evidências científicas e inadequações nos serviços de saúde. Dados do Relatório das Nações Unidas mostram que uma em cada quatro mulheres já sofreram violência obstétrica no Brasil. No estado de São Paulo, estudo publicado em 2023 analisando processos judicializados revelou que as principais queixas foram tratamento desrespeitoso, agressivo ou humilhante, seguido pela realização de Manobra de Kristeller e não permissão da presença de acompanhante ou doula durante o trabalho de parto.
 

Maria Fernanda Portolani processou o hospital e os profissionais que cometeram violência obstétrica contra ela e negligenciaram seu filho recém-nascido, que nasceu com broncopneumonia. O processo não deu em nada. "Foi um processo super exaustivo. A gente recorreu à Justiça e não deu em nada", lamenta. Seu filho precisou de acompanhamento no hospital público de Cubatão por conta das complicações de saúde.

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Carissa e seu irmão, filhos de Maria Fernanda 

Para a educadora e mediadora que trabalha com projetos para crianças e adolescentes, a violência obstétrica vai além do ato físico. "O que se precisa é entender que a mulher que está grávida, é um ser humano que precisa ter garantido seus direitos humanos, ter garantido seus direitos médicos, sua justiça reprodutiva", afirma a mãe de Carissa, uma jovem trans de 18 anos.

A história da educadora social Mariana Felippe, de 37 anos, e Eliane Vitoria, dona de casa, de 47 anos e estudante de Terapia Ocupacional, são duas mulheres que compartilham, cada uma à sua maneira, suas vivências como mães atípicas. Moradora de Santos, Mariana tem dois filhos, um deles diagnosticado com trissomia do 21 (Síndrome de Down) e Eliane, moradora de Guarujá, que também tem dois filhos, relata a sua jornada sendo mãe de uma criança, agora adulta, autista nível 3 de suporte.


Mariana afirma que chegou a ir ao hospital mais de 40 vezes durante vários dias seguidos em busca de respostas para saber o que o seu filho tinha. Já Eliane demorou cerca de três anos para ter acesso ao diagnóstico.

Entre laudos demorados e momentos de dúvida, ambas enfrentam barreiras que muitas vezes passam despercebidas, mostrando a força diária enfrentada com a coragem e a resiliência de serem mulheres e mães.  

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A jornalista e publicitária Gabriella França, 30 anos, viveu uma situação semelhante quando precisou ir a um hospital de emergência durante a gestação da sua filha Luiza, hoje com 2 anos. "O médico de plantão colocou o espéculo de forma violenta", relata. A situação se agravou quando, em outro momento, durante um ultrassom, uma médica fez comentários inadequados sobre o tamanho do bebê, associando-o ao fato de Gabriella França ser gorda, sugerindo diabetes gestacional sem qualquer exame que confirmasse. "Eu não tinha diabetes", esclarece Gabriella França, que se sentiu julgada e atacada durante toda a gestação por conta do seu peso.
 

A enfermeira obstetra Kallane Gomes dos Santos Leite explica que a violência obstétrica inicia desde o início da gestação, mas ela é sempre mascarada. "Desde o momento em que aquela mulher não recebe um pré-natal de qualidade — que é responsabilidade da atenção básica, do postinho de saúde, de grupo de gestantes, dessa gestante fazer o plano de parto, saber como é o parto, visitar a maternidade para conhecer o local onde vai parir o bebê. No pré-natal, ela deve receber todas as informações referentes às vias de parto, como são, quanto dura o trabalho de parto, qual é o momento de ir ao hospital", afirma a especialista.
 

Kallane ressalta que a definição de violência obstétrica é muito ampla. "Quando a mulher não recebe as informações básicas e um atendimento de qualidade, já é um agente de violência, porque você impede que ela possa fazer escolhas, saber o que é melhor para si, qual a melhor via de parto e para ela conhecer todos os processos do parto normal."
 

A enfermeira explica que quando a mulher chega ao hospital, a violência obstétrica aparece na imposição de um protocolo diferente do que ela quer. "Normalmente as mulheres, quando estão no trabalho de parto, fazem antes do pré-natal um plano de parto. Nesse plano, a mulher coloca tudo como ela gostaria que acontecesse no momento do parto. Muitos hospitais e profissionais simplesmente nem leem essas informações e conduzem o parto da forma deles", denuncia.
 

Entre as práticas violentas, Kallane Gomes destaca a manobra de Kristeller — subir em cima da barriga para empurrar o bebê — que ainda é praticada no SUS. "É uma violência obstétrica terrível". Também cita a episiotomia, corte na vagina sem necessidade. "Se você conduz o parto de forma fisiológica, vai ocorrer a dilatação necessária". Outro ponto crítico é a utilização da ocitocina. "Mais de 90% das mulheres não necessitam de ocitocina, e a grande maioria recebe como se fosse uma ajuda."
 

A enfermeira obstetra também destaca que "o excesso de toque vaginal" é outra violência comum. "Muitos hospitais fazem o toque vaginal de hora em hora. Isso é uma violência. Não existem subsídios ou pesquisas que falam dessa necessidade."
 

Segundo Kallane Gomes, pesquisas demonstram desigualdade racial no atendimento. "As pesquisas demonstram que mulheres negras recebem menos analgesia no parto do que mulheres brancas. Isso indica a crença de que essas mulheres sentem menos dor. Não é fala minha — existem inúmeros estudos científicos sobre isso."
 

Para a enfermeira, o que falta hoje nas maternidades é a humanização. "Melhorar a humanização, respeitar a autonomia dessa mulher e ter um atendimento baseado em evidências científicas. As evidências mostram que a manobra de Kristeller não tem necessidade, e ainda assim às vezes é praticada. Precisa-se dar valor ao protagonismo da mulher, para que ela possa conduzir seu trabalho de parto. Cada mulher é única, cada mulher é um universo."
 

De acordo com a psicóloga Valéria, "o apoio mais indicado para mulheres que sofreram violência obstétrica e podem apresentar traumas psicológicos duradouros inclui acompanhamento psicológico ou psiquiátrico especializado, grupos de apoio, rede de suporte familiar e social, terapias específicas para trauma e orientação jurídica".

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Adolescência interrompida
 

Renata Martins, 38 anos, tornou-se mãe aos 15 anos, em 2002. "Foi um pouco difícil por eu ser nova demais, tinha vergonha do que os outros pensavam, mas graças a Deus deu tudo certo com apoio da minha família", conta a moradora de São Vicente, que hoje tem cinco filhos. A primeira gravidez foi desejada, mas a adolescente ainda brincava de boneca e achava que criar um filho seria mais fácil.
 

O caminho de Renata Martins ilustra uma realidade comum: a interrupção dos estudos. "Eu parei de estudar porque não tinha ninguém pra olhar ela pra eu ir pra escola", explica. Ela parou no 8º ano. Aos 16 anos, começou a trabalhar na área da limpeza como empregada doméstica e pagava para os filhos ficarem na creche. Mais tarde, recebeu ajuda da filha mais velha para cuidar dos irmãos menores.

Renata no centro ao lado dos seus 5 filhos 

A psicóloga Valéria explica que "a interrupção dos estudos após a maternidade pode ter impactos significativos na autoestima e nas perspectivas de futuro das jovens. Economicamente, a falta de educação pode reduzir as oportunidades de emprego e independência financeira, levando a uma sensação de limitação e insegurança".
 

A Fundação Getúlio Vargas revelou, em estudo, que 54% das mães solo possuem apenas o ensino fundamental, e só 14% possuem Ensino Superior. Como o nascimento de um filho afeta a continuidade dos estudos, não por acaso, quanto mais jovem a mulher era quando se tornou mãe, maiores as chances dela estar vivendo na pobreza — o rendimento médio de quem se tornou mãe aos 15 anos, por exemplo, era de R$800 no período da pesquisa publicada no último trimestre de 2022.
 

Atualmente, Renata trabalha em três lugares e mora de aluguel no bairro Vila Margarida, em São Vicente. Ela relata que, nos últimos anos, ficou mais difícil cuidar da saúde por conta da demora no atendimento público. "A parte dos exames estão precários, estão demorando demais pra chamar e pra marcar", desabafa.
 

Quando questionada sobre o que falaria para outras adolescentes que se tornaram mães, Renata Martins é direta: "eu falaria pra ela não se desesperar e ter calma e muita paciência, que uma hora a criança cresce e vai ser melhor amiga dela". Ela também destaca a necessidade de "mais atenção para essas adolescentes que precisam tanto de um apoio e são tão criticadas".

Maternidade solo
 

Segundo o Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas, há mais de 11 milhões de mães que estão cuidando de seus filhos sozinhas no Brasil. O número de mães solo aumentou 17,8% na última década, passando de 9,6 milhões em 2012 para 11,3 milhões em 2022. O principal fator que contribuiu para o crescimento da maternidade solo foi atribuído ao aumento da população de mães solteiras não-brancas (pretas e pardas), que representam 90% deste total.
 

Maria Fernanda Portolani conhece bem essa realidade. Separada há seis anos do pai de seus filhos, ela trabalha em três lugares como educadora e mediadora para sustentar a família. "É muito desafiador conciliar os cuidados que ele precisava ter e minha rotina fora", relata sobre o período em que seu filho nasceu com problemas de saúde e ela precisou equilibrar trabalho e maternidade.

A situação se agravou quando ela enfrentou problemas de saúde mental. "Precisei ficar internada. Foi muito difícil para mim", confessa. Hoje, mais estabilizada, ela reflete sobre o que a mantém em pé: "eu ainda tenho tarefas a cumprir com meus filhos. E algo que eu tenho descoberto é que eu também preciso viver para mim, preciso entender o que eu quero para mim agora, construir coisas para mim".

Imagem Freepik

Dados complementares do relatório da FGV mostram que 15% dos lares brasileiros são chefiados por mães solo. Além disso, 72,4% das mães nesta condição vivem só com os filhos, sem ter uma rede de apoio próxima.
 

A advogada Gabriella Moreira, especialista em Direito das Famílias e Sucessões e Direito Humanos e Responsabilidades Social, que também é mãe, destaca a insuficiência da licença-maternidade. "Quatro meses é muito pouco. O bebê é muito pequeno. Ele vai para a escola, normalmente, para ficar doente. Eu acho que, pelo menos, a mãe precisaria de no mínimo seis a sete meses para ficar com o filho".

Amor não tem gênero
 

Quando Gabriella França e Izabela França, juntas há 11 anos e casadas há 3, decidiram ter um filho, sabiam que o caminho não seria fácil. Na Baixada Santista, não encontraram tratamento de reprodução assistida pelo SUS. Em São Paulo, a fila de espera era de seis anos. Optaram por fazer tudo pelo plano de saúde particular.
 

Izabela França conta que ser mãe sempre foi um sonho. "Nunca quis gestar, mas sempre quis ser mãe", diz. Gabriella França gestou Luiza, mas o desejo de maternidade era compartilhado pelas duas. "Hoje eu falo que a Luiza tem duas mães e tem mesmo. A Iza, por mais que não tenha gerado, tinha mais vontade de ser mãe do que eu", reconhece Gabriella.

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Gabriella e Izabela a espera da Luiza 

O casal enfrentou preconceito velado durante a gestação e após o nascimento de Luiza. Em uma clínica na Baixada Santista, quando Gabriella França foi fazer o primeiro ultrassom morfológico, o médico perguntou se elas iriam esperar o pai. "Depois que a gente falou que eram duas mães, esse médico mudou totalmente a forma de atender. Ele tratou a gente bem, bem, bem diferente", relembra Gabriella França, que nunca mais retornou àquela clínica.
 

Izabela França viu a homofobia de perto. "Quando a frase vem carregada de um olhar e uma palavra, a gente sabe que é preconceito". Ela conta que, em uma ocasião, na fila de um estabelecimento, comentaram que "a filha é cara do pai", mesmo depois de deixarem claro que a bebê era filha de duas mães. "Sempre perguntavam quem era o pai", relata.
 

Em março de 2024, o Supremo Tribunal Federal decidiu que a mãe não gestante em união estável homoafetiva tem direito à licença-maternidade. Se a companheira tiver direito ao benefício, deve ser concedido à mãe não gestante licença pelo período equivalente ao da licença-paternidade.
 

A psicóloga explica que "o preconceito velado contra casais homoafetivos pode gerar várias consequências psicológicas negativas, incluindo sentimento de rejeição e invisibilidade, ansiedade e estresse, depressão, dificuldades no acesso a serviços de saúde de qualidade e impacto na autoestima".

Izabela e Gabriella com a Luiza na primeira vez da filha no circo 

Gabriella e Izabela França encontraram acolhimento na escola particular onde Luiza estuda desde os 5 meses. "A gente sempre foi bem acolhida", afirmam. Elas contam que são as únicas mães em relacionamento homoafetivo que têm filhos na escola. A instituição não celebra Dia dos Pais ou Dia das Mães separadamente, mas sim o Dia da Família — postura que as duas valorizam profundamente.
 

Para elas, a maior preocupação é com o futuro. Gabriella lembra de um episódio que a marcou quando, ainda na faculdade de jornalismo, entrevistou uma professora que, ao falar de uma criança agitada de 4 ou 5 anos, comentou: "ah, ele é assim bobado porque ele tem duas mães. Aquilo me tocou de uma forma que eu nunca mais esqueci. Espero que a minha filha nunca passe por esse preconceito velado", desabafa.
 

Quando perguntadas sobre como explicarão a Luiza sobre sua origem, Izabela França é poética: "falaria que o papai do céu deu duas mães pra ela. Ela escolheu ter duas mães". Gabriella França pensa de outra forma. "Quando ela estiver maior, a gente vai explicar que a gente fez inseminação, e que a gente gostaria muito de ter ela na nossa vida. Não tem outra história. A gente queria ter a Luiza".

Corpo julgado
 

A gordofobia na gestação foi um dos principais sofrimentos relatados por Gabriella França. "Sempre fui muito gordinha e me julgaram durante a gestação em muitos momentos", conta. Durante um ultrassom, próximo ao final da gravidez, a médica comentou sobre o tamanho da bebê. "Será que esse bebê não é diabético?" A pergunta, feita de forma leviana e sem base em exames, deixou o casal angustiado até a próxima consulta com o obstetra, que confirmou que estava tudo normal.
 

"Foi realmente uma situação bem constrangedora nessa parte de ultrassom. Eu acho que tudo [aconteceu] pelo fato da Gabi ser gordinha. Achar que a gente comia porcaria", avalia Izabela, que sempre acompanhou Gabriella França nos exames.

A relação de Gabriella França com o próprio corpo mudou após ter Covid-19, quando ficou à beira da morte. "Ali eu vi o significado da vida", conta. Durante a gestação, ela emagreceu 10 quilos, mas isso não impediu os julgamentos. "Recebi muito comentário. As pessoas olhando tortas. Eu quando sentava no lugar de grávida no ônibus, as pessoas achavam que eu era gorda, não que eu estava grávida", relembra.
 

Após passar pela experiência da maternidade, Gabriella França ressignificou sua relação com o corpo. "Comecei a me amar mais. A amar cada pedaço do meu corpo, minha barriga, minha gravidez. Me sentia super poderosa", afirma.

A psicóloga destaca que "existem várias estratégias psicológicas que podem ajudar mulheres sobrecarregadas a cuidar da própria saúde mental sem se sentirem egoístas, incluindo autocuidado consciente, ressignificação de pensamentos, estabelecimento de limites, aceitação e compaixão, técnicas de relaxamento e busca de apoio social".

Transição e maternidade
 

Maria Fernanda Portolani além de ser mãe solo com histórico de violência obstétrica, vive um processo de maternidade diferente dos padrões tradicionais. Carissa, sua filha de 18 anos, é uma mulher trans. O processo de transição, que durou dois anos, foi complexo tanto para a adolescente quanto para a mãe.
 

"Foi difícil nesse turbilhão de tentar saber se eu estava fazendo correto", confessa Maria Fernanda Portolani. Ela procurou o grupo Mães pela Diversidade, que tem um núcleo específico para mães de pessoas trans (MPT). "Conversar com outras mães que estavam nessa trincheira também, escutá-las, saber o que estava acontecendo, como a gente orienta, me ajudou muito", conta.
 

Ela descobriu, por exemplo, que é possível fazer hormonização pelo Sistema Único de Saúde (SUS) após dois anos de terapia. "Fui descobrindo tudo isso dentro desse grupo de mães pela diversidade e entendendo, junto com Carissa, os caminhos que ela ia percorrer".

Carissa ao lado da mãe, Maria Fernanda

Apesar das dificuldades iniciais, Maria Fernanda Portolani enxerga beleza no processo. "Teve uma parte um pouquinho mais agonizante como mãe, mas a outra parte foi muito bonita, porque é possível ver nascer um ser humano mais feliz, mais realizado, ver nascer alguém por inteiro. Isso é algo muito potente, muito lindo".
 

Nas ruas de Santos, Maria Fernanda Portolani percebe olhares estranhos para Carissa. "Isso me incomodou muito. Não falei com ela sobre, foi uma coisa que eu observei", relata. A psicóloga explica que "o preconceito indireto pode ter efeitos profundos no vínculo familiar e na segurança emocional da criança, incluindo sentimento de insegurança emocional, dificuldade na construção de identidade e impacto no vínculo familiar".

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Maternidade Indígena 

A maternidade indígena nasce entre saberes tradicionais e a força de mulheres que carregam sua história no corpo e na memória. Na aldeia, cuidar de uma criança é a somar cada aprendizado vivido e partilhado entre mães, anciãs e toda a comunidade.

 

Entre os ensinamentos ancestrais e a chegada da tecnologia, Simone Takuá, uma mãe indígena de 7 filhos, tem cabelos loiros, olhos claros, lida como branca pela sociedade, vive a maternidade como território de luta, sabedoria que atravessa gerações, mantendo viva a essência de seu povo e revelando as belezas de viver na aldeia indígena de Piaçaguera entre Peruíbe e Itanhaém. 

Os desafios do maternar 


União que nasce da potência transformadora da maternidade enquanto movimento social e apoio mútuo que se une à luta por políticas públicas e ao direito de existir com dignidade. Priscila Cardoso, do projeto de extensão Yabás e Erês, traz o resgate dos cuidados coletivizados; e Hemoly Talita, do movimento Mães de Maio, compartilha a dor, a coragem e a busca por justiça diante da violência de Estado; já Cauana Donat representa a Ciranda Materna, coletivo que acolhe, fortalece e impulsiona a ação política das mães.

Juntas, neste videocast,  elas mostram como nasce a potência transformadora da maternidade enquanto movimento social e militância.

Mães esperam por mudanças na Baixada
 

Renata Martins, que teve todos os cinco partos na saúde pública municipal de São Vicente, deseja "mais atenção para essas adolescentes que precisam tanto de um apoio e são tão criticadas". Ela também reclama da demora nos exames e atendimentos no sistema público.
 

A advogada Gabriella Moreira destaca que, no Brasil, "não há nenhuma lei em vigor que trate especificamente de mães solo, apenas benefícios sociais estendidos a esse grupo". Ela menciona o Projeto de Lei dos Direitos da Mãe Solo, de número 3717/2021, que prevê pagamento dobrado de benefícios, prioridade em vagas de creche, cotas de contratação em grandes empresas, licença-maternidade de 180 dias e ajuda de custo com transporte urbano.

Maria Fernanda Portolani, que milita no Partido Comunista Brasileiro Revolucionário, acredita que a transformação vem da luta coletiva. "O que me encoraja muito é o meu militante social. Eu acho que a luta sempre é um motivo que me encoraja para a gente mudar a realidade", afirma.

 

Priscila Fernanda Gonçalves Cardoso, doutora em Serviço Social, professora associada da Unifesp no curso de serviço social e no mestrado de Serviço Social e políticas sociais, e coordenadora da comissão permanente "Mães da Unifesp", reflete sobre as mudanças necessárias na sociedade. "Em primeiro lugar precisaria mudar o tipo de sociedade que a gente tem, marcada pelas opressões e hierarquizações do capitalismo, do patriarcado e do racismo. Opressões e hierarquizações de classe, raça e gênero."

A professora da Unifesp defende que é necessário que a sociedade compreenda sua responsabilidade em relação à criação de crianças e adolescentes."De quem é essa responsabilidade? Ela é só da família, e essa família, muitas vezes vista como aquele modelo nuclear de um casal heteroafetivo, e na maioria das vezes, sobre responsabilidade da mulher. Essa responsabilidade precisa ser de todos".
 

Priscila acredita que "é preciso uma aldeia para criar uma criança, e a gente não tem essa aldeia. Acho que a gente tem uma questão central: enquanto a gente não tiver uma sociedade que se responsabilize pelos cuidados, ele continuará sendo algo que sobrecarrega as mulheres."
 

A professora destaca que essa sobrecarga afeta não apenas as mulheres, mas também o desenvolvimento das crianças. "A ausência destes cuidados coletivizados, dessa corresponsabilidade, traz uma sobrecarga para mulher, mas traz também consequências para o desenvolvimento dessa criança, desse ser, porque é um período da vida — a infância — que a gente forma nossos valores, o desenvolvimento psíquico e cognitivo."
 

Sobre o impacto da sobrecarga mental, Priscila explica que "a gente vai ter cada vez mais casos de depressão, ansiedade e burnout. Vivemos uma época que cunhou, inclusive, o termo burnout materno, porque, ao mesmo tempo que a gente hoje tem mais conhecimento sobre a educação e desenvolvimento infantil, isso nos traz uma maior exigência nesse maternário e sem condições para isso, muitas vezes, você tem um processo óbvio de sobrecarga mental, que acho que é uma das coisas mais difíceis na maternidade, nas maternidades solo, de mulheres periféricas, que é uma cabeça o tempo inteiro ligada, tendo que pensar em tudo o que tem que ser feito e tendo que realizar tudo."
 

A professora defende políticas públicas de apoio à maternidade. "Precisaríamos entender enquanto sociedade que é um período da vida. Na sociedade como está estruturada hoje, as mulheres precisariam ter tempo para educar nessa primeira infância, até os 6, 7 anos de idade, que necessita de uma presença maior dessa mulher. A gente precisaria ter suporte para isso socialmente".
 

Priscila Fernanda Gonçalves Cardoso ressalta a importância de espaços de acolhimento além das creches. "Quando você pensa uma creche que 16h30 tem que buscar a criança, como é que essa mulher que trabalha até 18 horas ou estuda vai fazer? Ela vai ter que ir para trabalhos mais precarizados. É muito comum as mulheres passarem a buscar trabalhos como domésticas ou faxineiras, sem vínculos, que façam seu próprio horário para conseguir dar conta."
 

A psicóloga acredita que, "para que mães em relacionamentos homoafetivos possam fortalecer sua autoestima e viver a maternidade com plenitude, alguns aspectos fundamentais são importantes: reconhecimento social e legal, redefinição de padrões e estereótipos, rede de apoio, cuidado emocional e autocuidado, valorização da trajetória e do amor, e educação e conscientização".
 

Gabriella França e Izabela França acham a maternidade "uma coisa indiscutível. Não tem coisa melhor do que ser mãe. É algo maravilhoso. Tem que viver com o crescimento, formar uma criança, formar uma pessoa. Cada um tem suas batalhas, tem suas vivências. Mas é uma coisa muito prazerosa", diz Izabela.
 

As histórias de Maria Fernanda Portolani, Renata Martins, Gabriella França e Izabela França revelam que a maternidade na Baixada Santista é vivida de múltiplas formas, atravessada por questões de classe, raça, orientação sexual e idade. Segundo informações da Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar, seis em cada 10 famílias chefiadas por mulheres enfrentam algum tipo de insegurança alimentar, sendo esta a mais severa entre as mulheres negras.
 

A violência obstétrica, a falta de políticas públicas adequadas, o preconceito velado e a sobrecarga de trabalho são desafios reais que essas mulheres enfrentam diariamente. Mas também há amor, resistência e a construção de novas formas de ser família.

Como diz Maria Fernanda Portolani: "a gente pode nascer de novo, construir coisas efetivamente novas com muito amor. Isso é potente e revolucionário". E é nessa revolução cotidiana do cuidado, do afeto e da luta por direitos que essas mães seguem construindo suas histórias na Baixada Santista e em todo o Brasil.

Qual o cenário das mulheres-mães no Brasil? 
 

O infográfico detalha dados atuais sobre a maternidade no Brasil, evidenciando a composição demográfica das mulheres responsáveis pelos domicílios, as desigualdades de renda entre homens e mulheres, e as mudanças no perfil reprodutivo, como o aumento de mulheres sem cônjuge com filhos. Essas informações oferecem um panorama atualizado dos desafios, comportamentos e realidades enfrentados pelas mulheres no contexto da maternidade brasileira. 

Infográfico - dados mulheres mães

Feminismo


A linha do tempo abaixo faz um percurso pelos principais marcos da história do feminismo no Brasil e no mundo, destacando momentos que marcaram a luta por direitos e igualdade. Desde as primeiras manifestações do século XIX até os movimentos mais recentes, como o #MeToo, ela evidencia a evolução das conquistas femininas e o papel do movimento na transformação social e legal das mulheres.

O direito a maternidade na Baixada
 

As políticas públicas desempenham um papel fundamental na garantia dos direitos das mulheres para o exercício da maternidade, especialmente em regiões com desigualdades sociais significativas, portanto a análise dessas políticas se torna essencial para que seja possível compreender de que maneira o Estado e a gestão do município acolhe e responde as várias demandas da maternidade, do acesso à saúde, assistência social, educação e mercado de trabalho.
 

Dessa forma, compreender o papel das políticas públicas voltadas para as mulheres e mulheres enquanto mães na Baixada Santista segue sendo fundamental para garantir a equidade, autonomia e dignidade dessas mulheres, além de colaborar na construção de estratégias que realmente atendem as necessidades maternas das mães da região. 
 

Abaixo as políticas públicas apuradas junto as Prefeituras das cidades de São Vicente, Itanhaém e Peruíbe, que corresponderiam as demandas de Renata Martins, Maria Fernanda Portolani, Gabriella França, Izabela França, Simone "Takuá" Jaxuka Yvoty, Mariana Felippe de Oliveira e Eliane Vitória. 

As Prefeituras de Guarujá e Santos não encaminharam um retorno formal para esta etapa da pesquisa.

São Vicente 

 

A Prefeitura de São Vicente informa os seguintes serviços para gestantes e puérperas no Município:
 

  1. O Fundo Social disponibiliza uma série de serviços gratuitos voltados ao cuidado e proteção de gestantes, mães e puérperas da Cidade, especialmente aquelas em situação de vulnerabilidade social.

  2. Acolhe Mãe: programa de acompanhamento psicológico gratuito, que oferece escuta qualificada e acolhimento às gestantes, puérperas, mães atípicas e mães em processo de luto. O objetivo é apoiar emocionalmente as mulheres, atenuando angústias no período gestacional, reforçando a importância do pré-natal e contribuindo para a redução da taxa de mortalidade materno-infantil.

  3. Doação de enxoval completo para gestantes em situação de vulnerabilidade social.

  4. Doação de roupas, fraldas e itens de higiene para mães e bebês.

  5. Distribuição de cestas básicas e apoio alimentar.

  6. Encaminhamentos sociais, em parceria com a Secretaria de Assistência Social (Seas).


A Secretaria da Saúde (Sesau), no período do parto oferece:

  1. Atendimento humanizado, com direito a acompanhante de livre escolha, conforme a Lei do Acompanhante;

  2. Acolhimento e Classificação de Risco Obstétrico 24h, com atendimento do enfermeiro, priorizando casos de urgência e emergência;

  3. Métodos não farmacológicos para alívio da dor no trabalho de parto;

  4. Equipe multiprofissional especializada, composta por obstetras, anestesistas, neonatologistas, enfermeiros e técnicos de enfermagem;

  5. Assistência imediata ao recém-nascido, com presença do neonatologista em sala de parto;

  6.  Contato pele a pele imediato e estímulo ao aleitamento materno na primeira hora de vida;

  7. Oferta dos métodos contraceptivos DIU e Implanon, de acordo com o Protocolo do Ministério da Saúde e do Município, além da realização de laqueadura em pacientes que realizaram Planejamento Familiar.


Já no Período Pós-Parto (Puerpério):
 

  1. Alojamento conjunto, permitindo que mãe e bebê fiquem juntos 24 horas por dia, promovendo o vínculo e o aleitamento materno, com livre acesso dos pais;

  2. Avaliação neonatal completa, conforme preconizado pelo Ministério da Saúde, incluindo;

  3. Teste do pezinho;

  4. Teste da orelhinha (triagem auditiva neonatal);

  5. Teste do olhinho (reflexo vermelho);

  6. Teste do coraçãozinho (oximetria de pulso);

  7. Teste da linguinha;

  8. Vacinação na maternidade (BCG e Hepatite B);

  9. Acompanhamento psicológico e social, se necessário.

 

Além disso, também oferece outros serviços:

  1. UTI Neonatal e Unidade de Cuidados Intermediários e Canguru, para atendimento de recém-nascidos prematuros e de alto risco;

  2. Atendimento obstétrico às gestantes de alto risco;

  3. Apoio social, licença-maternidade, e serviço de Cartório dentro da maternidade, para emissão da Certidão de Nascimento ainda na internação;

  4. Atendimento às situações de violência à mulher, seja física, psicológica ou sexual, com suporte do serviço social e psicologia;

  5. Alta responsável com agendamento de consultas para gestantes, puérperas e recém-nascidos;

  6. Avaliação nutricional, cardiológica, de vitalidade fetal com cardiotocografia e ultrassom obstétrico;


Para ter acesso ao serviço, é necessário abrir ficha na recepção e apresentar documento de identidade (RG ou CNH), carteira da gestante (se houver), cartão SUS e exames realizados durante o pré-natal (se houver).

 

As Unidades Básicas de Saúde (UBS) e Unidades de Estratégia de Saúde da Família (ESF) – Média de 1.320 atendimentos por mês


Nas 26 unidades da cidade são oferecidos os seguintes serviços:

  1. Pré-natal (acompanhamento médico durante a gravidez, visando garantir a saúde da mãe e do bebê, além de prevenir e tratar possíveis complicações).

  2. Pré-natal de alto risco (identificação precoce de sinais de risco como hipertensão e diabetes gestacional).

  3. Pré-natal do parceiro (incentivo à presença do parceiro nas consultas, com testagem para HIV, sífilis, hepatites e orientações sobre paternidade ativa e vínculo com o bebê).

  4. Busca ativa de gestantes faltosas nas consultas.

  5. Atendimento odontológico (avaliação, limpeza, restaurações e orientação em higiene bucal).

  6. Grupos de gestantes (orientações sobre cuidados no pré-natal, parto, pós-parto, amamentação e primeiros cuidados com o bebê).

  7. Vacinação (BCG e Hepatite B no nascimento), aplicada nas UBS e no posto de vacinação do Brisamar Shopping 

  8. Acolhimento pós-parto (realizado pelo enfermeiro da unidade, agendado diretamente na maternidade no momento da alta. A puérpera e o recém-nascido passam por avaliação, exames e orientação, já saindo com a primeira consulta de pediatria e obstetrícia agendada).

  9. Consulta puerperal (realizada até 42 dias após o parto, para avaliar a saúde da mãe e do bebê, além de orientar sobre amamentação e detectar possíveis complicações).


Para acesso, é necessário cadastro na UBS ou ESF mais próxima da residência ou trabalho, realizado junto ao Agente Comunitário de Saúde ou na própria unidade. Documentos necessários: Certidão de Nascimento (da criança), RG, CPF, Caderneta de Vacinação, Cartão SUS e Comprovante de Residência.

 

As Unidade de Saúde da Mulher tem em média 200 atendimentos por mês incluindo:

  1. Planejamento familiar (orientações sobre métodos contraceptivos, aconselhamento e cuidado pré-natal).

  2. Orientação sobre amamentação (importância da amamentação exclusiva até os seis meses e continuada até dois anos ou mais, além de apoio em casos de dificuldades).

  3. Central Obstétrica de Atendimento Secundário (COAS) – atendimento humanizado e especializado, especialmente para gestantes de risco, com equipe obstétrica preparada.

Itanhaém

 

No âmbito da Atenção Primária à Saúde de Itanhaém, o município está integrado à Rede de Atenção Materna e Infantil (Rede Alyne), que organiza a linha de cuidado desde o pré-natal até o acompanhamento do bebê e da puérpera.

 

Entre as principais ações realizadas nas Unidades de Saúde da Família (USF), destacam-se:

 

  1. Pré-natal: acompanhamento multiprofissional de gestantes com consultas médicas e de enfermagem, solicitação de exames, vacinação e orientações de cuidado. Quando necessário, as gestantes são encaminhadas para acompanhamento especializado no CESCRIM (Centro Especializado da Saúde da Criança e da Mulher) ou para o pré-natal de alto risco realizado no AME. O município também oferece o pré-natal do homem, envolvendo pais ou acompanhantes no acompanhamento da gestação, com orientações sobre saúde, suporte à mãe e participação nos cuidados com o bebê.

  2. Atenção ao parto: o parto é realizado no Hospital Regional Jorge Rossmann (HRJR), maternidade de referência da região. Após a alta hospitalar, o binômio mãe-bebê já sai com a data de retorno agendada para acompanhamento nas unidades de referência, garantindo a continuidade do cuidado.

  3. Visita assistida à maternidade: gestantes, a partir de 28 semanas, podem realizar visita prévia ao HRJR, agendada pela rede, como forma de preparação para o parto e acolhimento da família.

  4. Pós-parto (puerpério): acompanhamento da puérpera com consultas, apoio ao aleitamento materno e visitas domiciliares quando necessário, realizadas pelas equipes de saúde.

  5. Puericultura: acompanhamento do crescimento e desenvolvimento infantil, vacinação e orientações nutricionais, também com possibilidade de visitas domiciliares quando necessário.

  6. Planejamento reprodutivo e saúde da mulher: oferta de métodos contraceptivos, exames preventivos (Papanicolau e rastreamento de câncer de mama) e orientações.

  7. Saúde mental: gestantes, puérperas e acompanhantes com sofrimento psíquico recebem escuta qualificada nas USF e, quando necessário, são encaminhados para a rede de saúde mental do município.

 

Educação em saúde e grupos de gestantes: as USF realizam periodicamente grupos de gestantes, promovendo rodas de conversa, orientações sobre gestação, parto, puericultura e aleitamento materno, além de fortalecer o vínculo entre mães, famílias e equipe de saúde.

 

Atualmente, o município acompanha em média 700 gestantes por mês em suas 11 Unidades de Saúde da Família, considerando tanto o pré-natal habitual quanto os encaminhamentos para acompanhamento de alto risco no CESCRIM e no AME, incluindo o acompanhamento do binômio mãe-bebê e a participação do pai ou acompanhante.
 

Serviços como casas de acolhimento, creches noturnas e programas sociais são de responsabilidade da Assistência Social e da Educação, não estando sob gestão da Atenção Primária em Saúde.
 

Peruíbe

 

Peruíbe não tem maternidade, mas temos o banco de leite. Tem a Casa da Mulher que atende diversas especialidades. No mês de julho a carreta da mamografia fez mais de 500 exames. Em relação aos cursos de capacitação no Fundo Social tem algumas iniciativas do Agosto Lilás, mês do combate a violência da mulher.

 

Em agosto de 2025, Peruíbe celebrou os 25 anos do Banco de Leite Humano, sendo referência não só na cidade, mas em toda a Baixada Santista, segundo a Prefeitura. Esse serviço essencial tem feito a diferença na vida de centenas de famílias. Somente nos dois últimos anos, foram quase 900 litros de leite materno distribuídos, atendendo não apenas Peruíbe, mas também Itanhaém, Praia Grande e outras cidades da região.

 

Além da coleta e distribuição, o Banco de Leite também realiza um trabalho contínuo de apoio às gestantes no pré-natal e de acompanhamento especializado para mães com dificuldades na amamentação, fortalecendo a saúde dos bebês desde os primeiros dias de vida.

 

A importância do leite materno é inquestionável. De acordo com o Ministério da Saúde, a amamentação pode reduzir em até 13% as mortes de crianças menores de cinco anos, além de proteger contra doenças como diarreia, infecções respiratórias, alergias e obesidade. As mães também são beneficiadas, com menor risco de desenvolver doenças como o câncer de ovário.

O impacto do trabalho em Peruíbe é expressivo. Veja os números:
 

2024

Visitas domiciliares: 645

Doadoras: 425

Receptores: 561

Leite coletado: 483 litros

Leite distribuído: 684 litros

 

2025 (até o mês de setembro)

Visitas domiciliares: 569

Doadoras: 350

Receptores: 216

Leite coletado: 311 litros

Leite distribuído: 333,8 litros
 

A Prefeitura de Peruíbe tem orgulho de contar com um equipamento tão essencial para a vida e o bem-estar da população. O Banco de Leite também foi contemplado com a revitalização da Casa da Mulher, entregue na gestão do ex-prefeito Luiz Maurício, garantindo mais estrutura e acolhimento para as famílias atendidas.
 

Peruíbe segue firme em sua missão de cuidar da vida desde o início, com responsabilidade, humanização e resultados concretos.

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MULHERES QUE FIZERAM ESSE TRABALHO ACONTECER 

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Agradecemos a Cidinha pela conexão com Mariana Felippe, Maria Fernanda Portolani, Eliane Vitória, Cauana Donat, Hemoly Talita, Priscila Cardoso e Simone Takuá, ampliando nossa visão sobre a maternidade na Baixada Santista. 
 

Obrigado a Mariana Felippe por ter compartilhado a sua emocionante história e ter nos ensinado sobre acolhimento e inclusão, nos tornando mais conscientes e empáticos.
 

A Eliana Vitória por ter aberto as portas da sua para casa para nós, que sua resistência e determinação seja exemplo para outras mulheres.
 

A Cauana Donat, representante do Ciranda Materna, Priscila Cardoso, representante do Yabás e Erês e Hemoly Talita, representante do Mães de Maio, por aceitarem prontamente a participar da nossa roda de conversa e mostrar que mulheres-mães devem ocupar todos os espaços.
 

A Simone Takuá por nos receber no seu lar, na aldeia de Piaçaguera, dividir a sua vivência e mostrar que a maternidade indígena é um ato de resiliência, preservação de cultura e memória. 
 

A Izabela França e Gabriella França pela coragem de existir enquanto família e ensinar que há muitas formas bonitas de amor. 

A Maria Fernanda Portolani por contar sua trajetória na redescoberta por si mesma. 
 

A Renata Martins que mostrou que a maternidade pode ser um espaço de crescimento e amadurecimento.

Cidinha Santos

Renata Martins

Mariana Felippe

Izabela França e Gabriella França

Eliane Vitoria

Cauana Donat

Priscila Cardoso

Hemoly Talita

Simone Takuá

Maria Fernanda Portolani

CRIADO POR 

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Alex Bruno 
Publicitário formado em 2021 pela Universidade Católica de Santos, pseudo fotógrafo, quase Jornalista, músico e escritor nas horas vagas.

 

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Rosaly Avelar
Rosaly Avelar, 25 anos, estudante de jornalismo.

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Os desafios da maternidade e o papel social da mulher enquanto mãe na Baixada Santista
Por Alex Bruno e Rosaly Avelar, orientado pela Professora Lidiane Diniz  

 

© 2025 por Alex Bruno criado com Wix 

 

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